Comentários do leitor

Nova cultura de estudo para o vestibular atual

por carlos silva (2019-08-23)


O que se percebe, observando a produção cultural contemporânea, é que essas múltiplas interpretações, antes de ser evitadas, são encorajadas pelas obras; boa parte da chamada estética "pós-moderna" repousa na ideia de um leitor/receptor ativo , com níveis cada vez maiores de sofisticação, capaz de construir as pontes intertextuais entre romances, filmes, quadrinhos, música etc. Parece-nos útil refletir acerca da ideia de um "excesso de informação" que, no limite, inviabilizaria a prática da leitura, retomando a classificação proposta por Santaella. Talvez esse seja um falso problema, na medida em que partiria de uma idealização de um tipo de leitura e de um tipo de leitor historicamente datados o leitor contemplativo, meditativo, descrito anteriormente que não corresponderia aos leitores efetivos ora existentes. Algumas observações feitas por Pierre Bayard (2007) podem ajudar a esclarecer esse ponto. Para ele, habitamos um continuum que se estabelece entre os idealizados polos opostos e complementares da leitura plena e imersiva de um lado, e de outro, da não leitura total. Desse modo, Bayard propõe uma nova e singular classificação para os livros, a partir de sua experiência de leitor leva tempo para adquirir conhecimento para o vestibular 2020 para possíveis livros que desconheço, LF os livros que folheei, LO os livros que ouvi falar, LE os livros que esqueci. Essas abreviações não são exclusivas umas das outras". Também inclui nessa divisão os livros lidos e os livros não lidos (que até poderiam estar presentes, mas que nunca são utilizados). Bay ard, na verdade, ao propor essa nova divisão, está ironizando as distinções artificiais que consolidam determinada imagem da leitura que impede perceber como ela é efetivamente vivida pelos leitores. Nesse sentido, a leitura aproxima-se muito mais de uma produção feita a partir de muitos fragmentos (de diversos tamanhos e procedências), uma bricollage , como observou Michel de Certeau (1990), levada à cabo pelos leitores a partir de suas experiências, de seu contexto e de seu capital cultural. O que observamos hoje, com o hipertexto proporcionado pela tecnologia digital, é a radicalização desses processos facilitada por uma nova encarnação material dos textos em suas múltiplas formas. Por outro lado, se em boa parte da história humana viveu-se em uma relativa escassez (ou dificuldade de acesso) de materiais simbólicos para a maior parte da população, hoje essa situação se reverteu. Vale, portanto, refletir um pouco acerca do propalado excesso de informações e conexões comunicativas que caracterizariam a chamada "Sociedade da Informação". Sociedade da informação, redes, sociabilidades Assistimos hoje, graças aos processos de globalização e às novas tecnologias, a uma transformação nos modos de vida tradicionais. Uma das características dessa sociedade, como lembra Anthony Giddens (1991), é que ela se ancora em "sistemas peritos", que são mecanismos abstratos de construção de confiança. Assim, por exemplo, ao entrar em um avião ou utilizar os serviços de um banco, uma série de processos que demandam informações é acionada. Os atores envolvidos desconhecem essas informações na maioria das vezes, mal se apercebendo de sua existência e da quantidade de tecnologia e responsabilidade que implicam. Mas são estes sistemas que dão suporte à existência cotidiana para um dos mais famosas instituições de ensino superior o vestibular USP 2020, e a maior parte dos indivíduos simplesmente aceita sua existência, confiando plenamente que desempenhem o papel que lhes cabe, mesmo entendendo muito pouco ou absolutamente nada sobre como funcionam. Por outro lado, Giddens frisa que os atores são sempre reflexivos e podem alterar seu comportamento a qualquer momento, o que produz um fluxo constante de mudança social. Mas ele descarta a identificação da ação com a racionalidade e a transparência do sujeito em relação a si mesmo: subdividindo a consciência em "prática" e "discursiva", enfatizando que os atores são sempre hábeis na vida social, sem que isso implique, necessariamente, um conhecimento mais conceitual, e, portanto, articulável discursivamente, das regras que regem seus processos interativos, embora muitas vezes lhes seja possível traduzir suas ações em explicações bemarticuladas. Assim, a consciência prática permite-nos seguir regras e mudá-las sem que nos questionemos sobre seu significado e características. Giddens atribui à noção de "estrutura" um caráter condicionante da ação dos atores e, ao mesmo tempo, capacitador de suas ações. Isso quer dizer que a estrutura é, simultaneamente, composta de "regras" e "recursos", que definem parâmetros para a ação, fornecendo-lhes também os instrumentos, do contrário inexistentes, para agir. Obviamente, a tecnologia desempenha um papel importante em tudo isso, e não seria forçado pensar a Internet a partir da noção de sistema perito proposta por Giddens, talvez o exemplo mais recente desse tipo de sistema, sobre o qual se constroem diversas visões.