IF Goiano debate responsabilidade coletiva na promoção da equidade de gênero
Evento reuniu autoridades para refletir sobre o compromisso coletivo com a equidade e debater violência contra a mulher. Ação foi realizada nesta quarta-feira, 11, no auditório da Reitoria da Instituição.
O Instituto Federal Goiano (IF Goiano) promoveu, na quarta-feira, 11, o evento “A luta das mulheres é responsabilidade de todos e todas”, reunindo servidores, autoridades e convidados para uma programação voltada à reflexão sobre equidade de gênero e enfrentamento à violência contra a mulher. Realizada no auditório da Reitoria, com transmissão via Google Meet para toda a instituição, a iniciativa integrou as ações da campanha institucional do mês de março, que reforça a responsabilidade coletiva na construção de ambientes mais justos e igualitários.
A programação contou com momento cultural, com apresentação musical e leitura de poema promovidos pela servidora da Reitoria, Iraci Gonçalves, além de mesa-redonda e palestra. O evento foi realizado de forma conjunta pela Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas, Diretoria de Comunicação Social, Editora do IF Goiano e Núcleo de Arte e Cultura da instituição.
Educação como caminho para enfrentar a violência
O momento foi aberto pela fala da pró-reitora de Gestão de Pessoas, Ana Maria Resende, que destacou o papel das instituições de ensino diante do cenário de violência enfrentado por mulheres na sociedade. Para ela, a educação tem papel central na formação de uma cultura de respeito. “A resposta é a educação para a prevenção. Precisamos agir intencionalmente para romper com as amarras do machismo antes que elas se transformem em violência”, afirmou.
Durante sua fala, a pró-reitora também apresentou dados sobre a presença feminina na instituição, ressaltando a força e a competência das mulheres no IF Goiano, mas lembrando que o caminho rumo à equidade ainda exige atenção permanente.
Parafraseando a escritora goiana Cora Coralina, o reitor Elias Monteiro ressaltou a importância de construir uma sociedade em que cada pessoa possa ser quem é, com liberdade e dignidade. Ele destacou que a transformação social depende de compromisso coletivo e de mudanças efetivas nas práticas institucionais e sociais. "E vamos acreditar que isso é algo que vamos deixar marcado para a história”, afirmou.

Desafios e transformações no mundo do trabalho
A mesa-redonda que deu nome ao evento contou com a participação da superintendente da Polícia Federal em Goiás, Marcela Rodrigues de Siqueira, e da pró-reitora de Desenvolvimento Institucional e Recursos Humanos do Instituto Federal de Goiás (IFG), Sandra Abadia Ferreira.
Ao abordar os desafios enfrentados pelas mulheres no ambiente de trabalho, Sandra destacou a necessidade constante de provar competência e conquistar oportunidades, além da busca constante pelo reconhecimento e respeito às suas opiniões. “Se a gente falha, o julgamento é mais duro porque somos mulheres”, comentou.
Marcela complementou a reflexão ao destacar que, além das responsabilidades profissionais, muitas mulheres ainda precisam conciliar múltiplos papéis sociais. Ela também ressaltou o caráter histórico de sua trajetória na Polícia Federal em Goiás, ao lembrar que desde 1965 o cargo de superintendente não havia sido ocupado por mulheres. De acordo com Marcela, atualmente apenas 14% das superintendências da Polícia Federal no país são ocupadas por mulheres.
A superintendente destacou ainda que, atualmente, o gabinete da instituição em Goiás é composto exclusivamente por mulheres. Para ela, a presença feminina nos espaços de decisão amplia perspectivas e contribui para a construção de normativas mais sensíveis às demandas das mulheres. Sandra reforçou que a ocupação desses espaços também passa pelo fortalecimento de redes de apoio entre mulheres e pela coragem de questionar estruturas historicamente construídas. “Mais do que ocupar espaços, é preciso propor a transformação”, concluiu.

Reconhecer os sinais da violência
Com o tema “Violência contra a Mulher: reconhecer os sinais, romper o silêncio e buscar proteção”, a programação seguiu com a palestra da comandante da Patrulha Mulher em Goiânia, Luiza Sol, que abordou aspectos da Lei Maria da Penha, as diferentes formas de violência e os impactos desse fenômeno na vida das mulheres.
Durante sua exposição, a comandante destacou que a legislação não se limita à punição, mas também propõe uma reflexão sobre as relações que sustentam a violência. “A Lei Maria da Penha não pune o homem, ela pune o agressor e traz um conteúdo reflexivo”, explicou.
Luiza também ressaltou que a violência psicológica costuma ser a base para outras formas de agressão e que o trauma provocado por relações abusivas é responsável por gerar impactos biológicos e emocionais profundos. Segundo ela, estudos apontam que muitas mulheres permanecem em relacionamentos abusivos por fatores biológicos e psicológicos associados ao ciclo da violência. “Se a mulher, vítima de violência, não consegue decidir sozinha se vai sair ou não de casa, ela não vai conseguir sair de um relacionamento abusivo”, afirmou.

Compromissos com a equidade
O evento também foi marcado pela construção do Varal da Equidade, iniciativa que convidou servidores, servidoras e demais participantes a registrarem compromissos individuais em prol da promoção da equidade no IF Goiano.
As mensagens foram afixadas no hall da Reitoria e permanecerão expostas ao longo do mês de março, recebendo novas contribuições da comunidade acadêmica. Mais do que reunir mensagens simbólicas, a proposta do varal é estimular reflexões e incentivar atitudes concretas que contribuam para a construção de um ambiente institucional mais justo, respeitoso e equitativo, onde as mulheres se sintam representadas em todos os espaços.
Diretoria de Comunicação Social
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