Caminho do Café leva tecnologia do Campus Ceres a produtores de Goianésia
Projeto parte de pesquisa desenvolvida há 12 anos na unidade. Neste ano serão plantadas 100 mil mudas das cultivares recomendadas
Por Tiago Gomes de Paula
Fotos: Henrique Oliveira
O ano de 2026 começou com uma notícia de peso, envolvendo o Campus Ceres do Instituto Federal Goiano (IF Goiano) e a promessa de uma nova frente agrícola para o Vale de São Patrício. É que na última sexta-feira, 30 de janeiro, o município de Goianésia (GO) começou a implementação do projeto Caminho do Café, englobando diretamente mais de 10 anos de estudos realizados dentro da Casa a respeito da cultura desta fruta.
Tudo começou em 2014, quando o pesquisador e professor da unidade, Cleiton Mateus, deu início a uma pesquisa com 1.500 pés de café na área experimental do Campus. O estudo, que à época foi apoiado por um edital de fomento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), escolheu as 35 cultivares da planta que mais tinham êxito em terras brasileiras, com objetivo de avaliar quais as mais bem adaptadas ao solo e clima da nossa região.
E hoje, 12 anos depois, este estudo, consubstanciado em uma robusta pesquisa, é o ponto de partida do projeto que envolve, inicialmente, o plantio de 40.000 mudas das cultivares mais recomendadas. A ideia veio lá em 2021, quando Marcos Portilho, atual secretário de Agricultura de Goianésia, foi até o Campus Ceres conhecer de perto a pesquisa. “De lá pra cá a gente foi acompanhando, e vimos cada dia mais sucesso, mais produtividade e a qualidade do café na degustação", comenta ele.
Foi Portilho que levou a ideia ao prefeito do município, Renato de Castro, que se entusiasmou com as possibilidades abertas pelo estudo conduzido pelo Campus. “É a importância da pesquisa e da [aplicação da] tecnologia. Na década de 70, quando se falava em plantar soja no Cerrado, o pessoal lá do Sul dava risada. Hoje, somos os grandes produtores nacionais de soja. Tudo isso aí fruto da pesquisa e da tecnologia, quando ela é bem feita, bem divulgada”, aponta.
A disrupção da pesquisa - Para o idealizador do estudo, Cleiton Mateus, a pesquisa precisa ter a função de romper com o que está estabelecido, criando novas realidades. “No início, de fato, a gente não tinha noção de como seria. Se pegarmos a literatura estabelecida, não existe recomendação de plantio de café aqui pra nossa região”, explica o pesquisador. “A pesquisa tem que ir contra o que já está consolidado, tem que provar que é possível ir além do que já temos em mãos”, afirma.
Agora, os resultados da pesquisa serão percebidos no solo dos 14 produtores inicialmente escolhidos para o Caminho do Café. A primeira fase do projeto envolveu a prefeitura de Goianésia, que encampou a compra das mudas, vindas de Minas Gerais, e o Campus Ceres, que por meio da transferência de tecnologia proveu as informações sobre as cultivares que deveriam ser encomendadas. Para este ano, a previsão é totalizar 100 mil pés de café.
Parceira do projeto, a Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater) também irá atuar no decorrer do Caminhos do Café, levando assistência técnica aos produtores envolvidos. “A Emater entra com esse compromisso de dar sequência às pesquisas e acompanhamento, pensando já nos próximos passos. Nós fizemos um diagnóstico o ano passado e a maioria dos produtores apontaram que o alto custo dos insumos agrícolas é o maior desafio que eles têm. Então iremos testar também o uso de bioinsumos, pensando na redução destes custos”, adianta Cleiton.

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