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Pesquisa e pós-graduação em Goiás: o que esperar nos próximos anos

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Publicado: Quarta, 30 de Novembro de 2022, 00h14 | Última atualização em Segunda, 05 de Dezembro de 2022, 10h33 | Acessos: 170

Metas para o desenvolvimento do estado foram apresentadas pelo presidente da Fapeg no primeiro dia do CPPG, em Rio Verde

Por Tiago Gebrim
Foto: Tiago Gebrim

 

 

Nesta terça-feira, 29 de novembro, primeiro dia de realização da 11ª edição do Congresso de Pesquisa e Pós-Graduação (CPPG) do Campus Rio Verde, a Instituição recebeu o pesquisador Robson Vieira, presidente da Fundação de Apoio a Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg). Com a apresentação Pesquisa e Inovação: Ações estratégicas para o desenvolvimento econômico e social do estado de Goiás, Vieira discursou sobre ciência, tecnologia e inovação, passando por temas sensíveis e gargalos encontrados em nosso estado.

De saída, o pesquisador anunciou o que seria mostrado ao público – um resumo das ações desenhadas para 2023 e para os próximos anos de governo, com pretensões de fortalecer o estado de Goiás rumo a uma posição estratégica no País, além de aproximar a Fundação e a própria pesquisa científica da população.

“Nossa escala temporal é 2030. Como Goiás estará em 7 anos? Em termos de ciência, tecnologia e inovação – como conseguiremos impactar a sociedade?”, provocou Vieira. Para ele, é preciso fazer com que a pesquisa chegue de forma muito mais próxima e transparente à sociedade. “O recurso nosso é 100% do tesouro, então estamos muito preocupados em dar toda a clareza à sociedade sobre o que tem sido feito”, afirma.

O presidente da Fapeg apresentou os direcionadores que movimentam o plano de ação da entidade – entre eles, a Agenda Global 2030, as agendas de desenvolvimento científico e inovação de outros países, o discutido nas últimas edições da Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, as tendências tecnológicas, no Brasil e no estado de Goiás, além de temas como Inovação e Competitividade, Tecnologias Digitais, sustentabilidade e pós-graduação.

Pensando em competitividade tecnológica, Robson reconhece que oportunidades já foram perdidas, mas há pontos fortes que o Brasil precisa explorar. “Algumas [tecnologias] não estão mais em nosso escopo, como a de Inteligência Artificial (AI ou IA, do inglês Artificial Intelligence), cuja liderança hoje é da China. Mas há outras em que o Brasil tem grandes chances de protagonismo, como os bioinsumos. É preciso estabelecer boas estratégias”, afirma, adicionando outros exemplos a essa lista, como as energias renováveis.

Ao acompanhar movimentos importantes que estão ocorrendo no Brasil e no mundo, Vieira elenca as pesquisas relacionadas à Amazônia e, de forma geral, à conservação e uso da água. “Precisamos ter ações específicas para isso”, adianta. Aproximando da realidade goiana, chegamos ao Cerrado, definido por ele como nosso “grande guarda-chuva” e potencial para pesquisas em biodiversidade e dentro das Ciências Agrárias.

Para Robson, outro gargalo a ser trabalhado pela Fundação nos próximos anos é a descentralização dos projetos de inovação, ainda tímida e centralizada na capital. E complementa: “Precisamos ser um estado mais competitivo com a inovação, e tecnologias digitais, por exemplo, é um tema transversal – daí a importância de projetos multidisciplinares”.


Estratégia de fomentos – Vieira apresentou, de forma segmentada, as ações que permanecem e devem ser fortalecidas na gestão 2023-2026 do governo estadual. A primeira delas é a consistência no fomento e nos programas. “A gente precisa, no Brasil, ter consistência e regularidade no fomento. Precisamos garantir que o recurso estará lá, todos os anos”. Em relação a isso, a Fapeg definiou quatro áreas básicas: bolsas de formação, auxílio a pesquisa, apoio às start-ups e projetos de transferência de tecnologia e de conhecimento para novas políticas públicas. A partir de 2023, duas áreas serão acrescidas: o apoio à Iniciação Científica e a internacionalização.

Quanto à pesquisa propriamente dita, a entidade definiu sete áreas prioritárias, com base em análises das forças técnicas disponíveis e do potencial econômico do estado. São elas: Agropecuária, Alimentos (inclusa dentro dessa primeira área), Educação, Energia renovável, Fármaco-químico, Logística e Mineração. Outro ponto inerente é a retenção de talentos e a inserção de pesquisadores nas empresas. “É difícil pensarmos doutores apenas para instituições de ensino. As habilidades dos doutores precisarão ser diferentes daqui pra frente, para que estejam em consonância com as demandas produtivas”, afirma.

O tema se funde às iniciativas da Fapeg em pós-graduação, com fortalecimento dos programas e dos incentivos. “Já fizemos o reajuste das bolsas, pretendemos manter os reajustes necessários, e agora implementar o programa Bolsa Nota 10, selecionado os maiores pesquisadores do estado e ampliando o financiamento dessas pessoas, de forma também a reter os talentos no estado e evitar fugas de cérebros”, explica Vieira.

Novas estratégias para retenção de talentos estão sendo pensadas, não só com ampliação de bolsas, mas com a criação de “uma política mais agressiva para colocar o doutor dentro do setor privado”. Robson cita que, no Brasil, apenas o estado de São Paulo possui um número significativo de pesquisadores inseridos no setor produtivo. A realidade, no restante do País, é o doutor nas universidades ou dentro do próprio governo. Uma das ideias para mudar esse quadro é a criação de núcleos, subsidiados pelo governo estadual, dentro das empresas, para inserir os pesquisadores no setor produtivo.


Fundo para desenvolvimento científico e segurança para pesquisar – Para fazer ciência é preciso, fundamentalmente, de recursos garantidos. E, aqui, a promessa é a criação de um Fundo Estadual para o Desenvolvimento Científico, Tecnológico e a Inovação de Goiás. Inclusive com a participação das instituições de ensino e pesquisa do estado, como o próprio IF Goiano.

“Apesar de nos últimos anos estarmos caminhando numa crescente de orçamento, não podemos ficar refém de [uma situação como] 'o governo fica magoadinho, tira o dinheiro da sua conta'”, afirma Robson, categórico. “Precisamos de um fundo composto de recursos do tesouro e também de entidades privadas, que possa ser particionado, por exemplo, para pesquisas básicas e para estratégicas, que esteja alinhado com as demandas atuais da comunidade nacional e mundial”, informa.

O combate à desinformação também é um dos desafios encampados. A Fapeg, explica Vieira, pretende investir um montante alto em profissionais mestrandos e doutorandos na área de jornalismo científico, nos próximos quatro ou cinco anos. A ideia é ter profissionais que possam ser inseridos em instituições de ensino e de ciência e tecnologia, públicas e privadas, e que ‘traduzam’ a complexidade que muitas vezes é pesquisa científica.

“Tivemos os negacionismos entre 2019 e 2020, tivemos a terra plana, tivemos o ‘covid que era gripezinha’. Não podemos voltar a esse tipo de discurso. Nós, como cientistas, temos que investir numa melhor comunicação. É uma ação estratégica, que pode possibilitar termos revistas próprias, com matérias mais elaboradas, que possam ser direcionadas à população, às escolas públicas”, enfatiza o pesquisador. “É ali que precisamos trabalhar para nos comunicarmos melhor”.

Por fim, ainda dentro do plano estratégico da Fapeg, foram apresentadas propostas de criação de quatro novas unidades Embrapii no estado, sendo duas já pré-definidas para as áreas de Mineração e Alimentos, e a criação de novos centros de excelência nas áreas de Alimentos, Energia Sustentável, 5G e 6G e, também, a Saúde. Tendo como pano de fundo a experiência com a pandemia de Covid-19, a meta é colocar o estado em posição de igualdade a outras unidades da federação na pesquisa com agentes patógenos e produção de vacinas. Assim, buscar uma preparação e maior autonomia frente a cenários de recrudescimento da situação sanitária, como novas pandemias.

 

 

COMUNICAÇÃO SOCIAL Campus Ceres - especial para o 11º CPPG

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